Já começa a ser recorrente estas aventuras após as férias.
Quando iniciei este blog, andava em
aventuras fresquinhas da neve. Uns diazitos de Snowboard na Serra Nevada acabaram em fisioterapia, mesoterapia e macacadas parecidas.
Por isso, comigo, para serem férias a valer tenho de trazer alguma mazela.
Depois da semana INESQUECÍVEL no
Red Sea, vinha super contente. Só trazia nódoas negras nos pés, nas canelas, nos joelhos, nas coxas e braços, uns arranhões aqui, dedo esfolados de tanto vestir e despir o fato ... nada que fosso demasiado doloroso.
Chegámos a uma 5ª Feira e na 2ª Feira à noite estava a entrar de férias novamente. Desta vez, forçadas.
Depois de uns dias de muito cansaço decidi ir à SAP para ver o que era, de lá mandam-me para o Hospital e de lá já não saí. Entrei com pulseirinha amarela e após ECG, auscultação, medição de tensão arterial e temperatura, tentativas de gasometria, desmaio, soro na veia e TAC, fiquei internada na UCI.
Diagnóstico: Tromboembolismo Pulmonar Agudo.
Eu que adoro agulhas, já tinha uma espetada no braço. Assim que cheguei à UCI, juntou-se mais duas (uma em cada braço), já sem contar com as vezes que depois fui picada para fazer análises. Parecia uma árvore de natal, de tanto penduricalho.
depois da triagem
os penduricalhos num dos braços
À excepção das picadas, de me acordarem às 7h00 para fazer análises ao sangue, de ter passado tanto tempo sem me levantar da cama, a estadia até nem foi assim tão má.
- A comida 5* (só a gelatina ... blhackkkk);
- As Enfermeiras e os auxiliares super simpáticos, acessíveis e com um espírito incrível para aguentar tudo o que passam no hospital;
- As minhas companheiras de quarto ... impecáveis;
- As manhãs eram uma agitação total. Depois das análises, banho e pequeno almoço, era hora de um episódio do "E.R Serviço de Urgência". Era hora de os alunos estagiários fazerem a ronda. Como era a mais nova no serviço, falava, mexia-me, tinha a noção do tempo/espaço, fui usada como cobaia/rato de laboratório para 5 alunos. Foram 5 exames para a faculdade que fiz (um dos quais deu 18 valores a um dos médicos), foram mais 5 vezes que repeti o que me tinha acontecido, o historial médico da minha família e de mim própria ...
Cómico também foi a primeira vez que me levantei. Depois de me habituar novamente à sensação de estar de pé, fui até ao corredor para exercitar um pouco as pernocas.
Parecia que estava ao volante do meu repolho e a ser ultrapassada por um ferrari a alta velocidade numa auto-estrada (é preciso dizer que o ferrari tratava-se de um nonagenário com pressa para chegar a algum sítio).
Nos próximos meses é tomar a medicação certinha e direitinha, nada de viagens, ginásticas malucas ou mergulho :'( Nada de quedas, cortes, traumatismos ... coisa que vai ser bem complicado conseguir. Bater em todo o sítio e mais algum, faz parte de mim (já sem me poder magoar, a primeira coisa que fiz assim que me levantei da cama do hospital, foi bater com o calcanhar nas rodinhas do cesto da roupa suja do duche).
Nos próximos tempos vou ter de arranjar alternativas mais softs e menos radicais.
Ao todo, foram 11 dias de "retiro espiritual", 7 dos quais sem me levantar da cama, ao que se juntou mais uma semanita em casa.
São fases menos boas pelas quais uma pessoa passa e que nunca pensou estar, alturas em que vemos quem realmente se preocupa connosco, em que se pensa em tudo o que já se viveu e no que ainda se quer experienciar ...
a vista do retiro
Agora dou mais valor ao que se costuma dizer: "Viver cada dia ao máximo"